Existe vagina mais ou menos bonita?

September 28th, 2016

Vagina LínguaAs vaginas são diversas. Variam em dimensão, cor, tamanho dos pequenos lábios, rugosidade, apresentam uma ampla variabilidade. No entanto, muito pouco se sabe sobre como as pessoas percebem essa diversidade. Um trabalho muito interessante, o The Vulva Paper, do qual retirei todas essas informações, investigou a diversidade de vaginas e a opinião pública sobre as diferentes morfologias existentes.

Como foi feita a pesquisa?

Foram coletadas 182 fotos da parte externa da vagina das mulheres participantes, além da informação da idade e do país onde residia cada uma. Para cada foto, mediram o tamanho dos grandes lábios, dos pequenos lábios e do capuz. Como as fotos foram enviadas pelas próprias participantes, elas não tinham nenhuma padronização de tamanho. Assim, em vez de usar as medidas, foram utilizadas as proporções tamanho do lábio menor/ tamanho do lábio maior e tamanho do capuz/tamanho do lábio maior.

Além das medidas, também foram classificados numa escala de 1 a 4, o quanto os lábios menores eram salientes e, por fim, a rugosidade dos lábios menores também foi classificada entre suave, moderada e marcada. As fotos em que não era possível fazer alguma medição ou classificação foram descartadas, sobrando assim 110 fotos.

As fotos ficaram disponíveis em um site onde os visitantes poderiam atribuir uma nota de 1 a 10 para cada uma. Cada visitante podia atribuir nota a quantas vaginas desejasse. Foram 134.707 votantes e 2.766.671 votos no total.

Para apresentação dos resultados, as vaginas com características semelhantes foram agrupadas conforme a tabela abaixo, resultando em 6 classes:

Classes de Vagina

Tabela 1 – Divisão das vaginas em classes segundo os critérios de proporção, saliência e rugosidade citados

Exemplo de cada classe:

Exemplos de vagina de cada classe

Figura 1 – Exemplos de vagina de cada classe

E sem mais delongas, vamos ao resultado:

Ranking Global

Figura 2 – Ranking Global

Ranking por país

Tabela 2 – Ranking por País

 

Para as amigas trans, acho acho que dá pra tirar algumas conclusões:

1 – Se você vai operar e pode pagar, escolha um médico cujo estilo de vagina seja do seu gosto. Julgo que a funcionalidade é o principal aspecto a ser considerado, mas já que vamos “comprar” uma vagina, por que não termos aquela que enche nossos olhos?!

2 – Note que no item anterior eu disse: “que enche os nossos olhos!”. Não se apegue ao resultado dessa pesquisa para tentar conseguir uma vagina que agrade à maioria. Agrade a você mesma!

3 – Existem diversos tipos de vaginas, muito mais do que esse estudo mostra. Sei que é uma preocupação de muita gente que opera, mas tente não ficar preocupada avaliando se a sua parece uma vagina cis ou não. Com tanta variedade na natureza, quem é que pode julgar isso? Seja feliz com a sua vagina!

FFS – Frontoplastia

March 19th, 2016

Frontoplastia - Diferenças Homem MulherConforme citei no post Diferenças entre o rosto Masculino e o Feminino, a testa pronunciada é uma das principais características que deixam o rosto masculino. Como essa característica não pode ser corrigida com hormônios, só nos restam opções cirúrgicas. A cirurgia para eliminar a protuberância e regularizar/suavizar a testa se chama Frontoplastia.

Antes de explicar como é feita a frontoplastia, vamos conhecer o crânio, com ênfase no que toca essa cirurgia. Vejam a figura abaixo. Na parte central do crânio fica o sinus frontal, que é a parte que faz aquela “barriga” para fora, no centro da testa. Na imagem de perfil é possível ver que essa região é formada por um osso, um espaço vazio e então outro osso. Nas laterais, acima dos olhos, ficam os orbitais, que deixam o olhar mais fechado e mais pesado. Por fim, entre a testa e as têmporas, existe uma irregularidade, uma quina.

Frontoplastia - Crânio Frente Perfil

Na cirurgia de frontoplastia, as rebarbas formadas pelos orbitais podem ser cortadas e descartadas, e o restante dos orbitais são lixados e regularizados para que fiquem suaves. Da mesma forma, a quina entre a testa e as têmporas também é lixada. O cirurgião deve procurar suavizar todas as irregularidades da testa, deixando-a lisa.

Já na parte central, que é oca, existe uma grande variação da espessura do osso sinus, bem como do tamanho da protuberância (“barriga”) formada por esse osso. Isso faz com que a técnica indicada para uma pessoa não seja a mais indicada para outra. Vou explicar as opções que temos atualmente.

 

Técnica do Lixamento

Se a pessoa tiver o osso sinus com espessura suficiente para regularizar a protuberância da testa apenas com o lixamento, essa é a técnica mais simples a ser empregada (conhecida fora do país como “Type 1”). Vejam as linhas vermelhas que eu tracei. É possível que a testa fique sem nenhuma protuberância apenas retirando a parte externa da linha vermelha, sem atingir a região oca (que não pode ficar perfurada).

Frontoplastia - Lixamento

 

Técnica do Lixamento com preenchimento

O caso apresentado anteriormente, em que se tem espessura suficiente para regularizar a testa apenas lixando é bastante raro. Vamos ver na figura abaixo um raixo x com um caso mais comum. Vejam a linha que eu tracei na figura 1. Caso o cirurgião fosse lixar até essa linha para regularizar a testa, o osso sinus não teria espessura suficiente e a parte oca seria alcançada. Uma alternativa é o cirurgião desgastar até o limite do osso e, para deixar a testa regular, utilizar um preenchedor, como eu mostro na figura 2, onde a curvatura da testa seria esse pontilhado que fiz em vermelho. Utilizar o lixamento + preenchimento é conhecido fora do país como “Type 2”.

Frontoplastia - Lixamento Preenchimento

 

Técnica da Reconstrução

Agora vejam o raio x abaixo, ele é o raio x do meu crânio. Para se conseguir uma curvatura bonita, a testa precisaria subir em posição vertical a partir do nariz, em uma posição próxima a dessa linha vermelha que tracei. Está bem evidente que meu sinus é finíssimo, parece um papel, impossibilitando o lixamento. O osso também é tão pronunciado que se fosse fazer preenchimento para chegar a uma regularização, a testa ficaria com aspecto de capacete, de tão cheia.
Frontoplastia - Reconstrução

Nessa técnica, a mais agressiva, o osso é cortado em posição próxima a da linha que tracei, ele é retirado do crânio, trabalhado e recolocado no lugar de modo que não apresente mais a protuberância, que a testa suba em posição vertical. Nessa técnica, para regularizar essa parte central com o restante da testa, o limite teoricamente é o osso posterior, que protege o cérebro. Lá fora a chama de “Type 3” ou “Forehead Reconstruction” e ela é a mais indicada para a maioria das pessoas.

 

Como o osso da testa é acessado?

Para acessar o osso da testa da paciente, o cirurgião faz um corte de orelha a orelha, que fica escondido no couro cabeludo, oculto pelo cabelo. Quando a linha do cabelo já se encontra na posição correta, esse corte é feito no topo da cabeça, fazendo com que a cicatriz fique bastante oculta pelo cabelo.

Frontoplastia - CicatrizQuando existe a necessidade de descer um pouco a linha de cabelo da paciente, o corte (também de orelha a orelha) acompanha a linha do cabelo da paciente, ficando com o aspecto da foto ao lado.

Caso feito por um bom cirurgião, o correto é essa cicatriz ficar quase imperceptível após a cicatrização completa.

Existe cirurgião que executa a técnica do lixamento (com ou sem preenchimento) com técnica endoscópica. Nesse caso são necessários apenas 3 pequenos cortes que ficam ocultos no cabelo, por onde o cirurgião introduz a câmera e os seus instrumentos.

 

Procedimentos comumente feitos com a frontoplastia

Avanço da linha do cabelo

Quando existe a necessidade de efetuar o avanço da linha do cabelo, aproveitando um corte como o da foto acima, o cirurgião usa a elasticidade do couro cabeludo e puxa todo o couro um pouco para frente. Uma pessoa com elasticidade normal chega a 2 cm de avanço. O cirurgião verifica quanto ele consegue puxar o couro sem que haja uma tração excessiva. Em seguida retira e descarta uma faixa de pele da testa na divisa com a linha do cabelo, puxa o couro e o costura mais para baixo.

Lifting se sobrancelhas

Antes de o cirurgião fechar a testa, ele toma o cuidado de puxar a sobrancelha, posicionando-a no local correto, com a parte externa um pouco acima da posição original, deixando a quantidade de pele correta para o momento que vai costurar.

Rinoplastia

Como a curvatura ideal da testa parte da região superior do nariz, costuma-se fazer a rinoplastia (caso seja necessária) junto com a frontoplastia. Assim é possível diminuir o dorso do nariz para a melhor posição possível e depois fazer a testa sair dessa posição. Isso garante uma harmonia perfeita entre testa e nariz.

Considerações na escolha do cirurgião

  1. Existem médicos que fazem apenas lixamento e preenchimento, e eles tentarão te convencer de que a técnica deles é a melhor do mundo e é indicada para qualquer caso, que fica tão bom quanto a reconstrução. Mas agora que você conhece as técnicas e as indicações de cada uma, sabe que não é bem assim. Faça raio-x, entenda o seu caso, e não se deixe enganar!
  2. Cada médico tem suas características. Não é porque dois médicos utilizam a mesma técnica que tanto faz você operar em um ou no outro. Nunca decida apenas com base no preço, compare muito os resultados de cada médico, veja se são do seu agrado, se ele operou casos difíceis, se sobrou alguma protuberância na testa ou algum osso nos orbitais, se você acha que poderia ter ficado melhor. Repare no olhar das pacientes, se os olhares ficaram meigos, abertos e receptivos.
  3. Não caia nos truques dos médicos na hora de analisarem os “antes e depois”. Tem resultado que no “antes” a pessoa está de qualquer jeito, sem maquiagem, mostrando a calvície e no “depois” está toda maquiada, com faixa no cabelo, sorrindo. Outros médicos colocam no “antes” uma foto da época que a pessoa não havia feito nem laser na barba ainda, não se hormonizava, e aí no depois dá a entender que aquela transformação toda foi ele que fez. Considere as fotos de “antes e depois” tiradas nos mesmos ângulos (frente, perfil e 45 graus), sem maquiagem, e analise os aspectos técnicos da cirurgia.
  4. Não se prendam aos resultados divulgados pelos médicos. Já vi médico super famoso, capa de revista, com resultados maravilhosos no site (porque faz os truques que eu citei no item anterior) e que, quando você vê foto divulgada pela própria paciente, não é tudo aquilo, ficou um testão. Frequente fóruns e busque resultados.

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Diferenças entre o rosto Masculino e o Feminino

March 12th, 2016

Rosto Masculino FemininoO que faz um rosto ser considerado masculino ou feminino?

Ao olhar um rosto você já parou para pensar porque um homem parece um homem e uma mulher parece uma mulher? Um rosto “crú”, sem nenhum artifício de cabelo ou maquiagem, você saberia dizer?

Cada rosto tem um conjunto de características que o torna único. Ao olhar o rosto de determinada pessoa, inconscientemente, nosso cérebro usa matemática. Ele transforma essas características em um conjunto de linhas e figuras geométricas, “mede” a inclinação de cada linha, a proporção entre cada um dos atributos daquela face e nos diz, baseado em padrões que ele aprendeu em observações passadas, se é um rosto masculino ou feminino, se é ou não atraente, etc.

Mas quais são esses padrões e características que nossos cérebros aprenderam e que fazem com que eles possam diferenciar rostos masculinos e femininos? Olhem a foto acima. Qual característica mais diferencia, mais chama a atenção? A mim é o olhar. Outra bem visível e que nem vou comentar de tão óbvia é a barba.

Nesse post vou comentar à princípio quais as características que evidenciam se um rosto é masculino ou feminino, começando com o olhar, que é sem dúvida a característica mais importante. Em um segundo momento vou criar posts individuais para cada característica explicando para quem está transicionando o que pode ser feito para melhorar cada uma delas.

Olhar

Já repararam como o olhar masculino geralmente é mais sisudo que o feminino? Como as mulheres parecem ter o olhar mais doce, mais expressivo enquanto os homens parecem ter o olhar mais agressivo?

O principal responsável por essa diferença é o osso frontal da testa. Reparem na foto abaixo como a parte acima dos olhos é saltada no rapaz e lisa na moça:

Rosto - Testa e Maxilar

O osso central da testa, chamado sinus em inglês, é muito suscetível à ação dos hormônios sexuais masculinos. Quando criança não existe tanta diferença entre um crânio masculino e um feminino, mas à medida que crescem, os homens são expostos a níveis cada vez mais altos de hormônios masculinos, e esse osso tende a crescer e saltar para fora. Vejam a fotos de um crânio masculino e de um feminino:

Rosto Masculino Feminino - Crânio Lateral e Frontal

Outras Características que influenciam no olhar:

Sobrancelha: A sobrancelha das mulheres não é apenas mais fina, a parte externa da sobrancelha feminina é mais alta que a masculina.

Olho: A cavidade onde fica o globo ocular costuma ser um pouco maior na parte superior nas mulheres que nos homens. Isso deixa o olho mais aberto e dá a impressão de que ele é maior.

Para saber como é feita a cirurgia para correção da testa, veja o post FFS – Frontoplastia.

Queixo e Mandíbula

Como pode ser visto nas figuras acima, tanto na das pessoas como na dos crânios, em homens a mandíbula tende a ser mais angulosa que nas mulheres, sendo que nelas o ângulo costuma se formar um pouco mais acima que nos homens. O queixo também difere, costuma ser mais largo e quadrado nos homens e mais fino e pontudo nas mulheres.

Linha do cabelo

Agora vejam as fotos a seguir. Elas foram extraídas do site “Face of Tomorrow” e são rostos médios. Esses rostos médios são construídos sobrepondo e mesclando dezenas de fotos. Dessa forma, as características individuais de cada pessoa acabam ficando recessivas e desaparecendo enquanto as características mais determinantes, que a maior parte dos indivíduos possuem, acaba sendo ressaltada. À esquerda está um rosto médio feminino, feito da combinação apenas de fotos de rostos femininos e à direita está um rosto médio feito de fotos masculinas.

Rosto Médio Masculino FemininoMuita gente pensa que a linha do cabelo dos homens é mais alta que a das mulheres. Talvez porque grande parte dos homens perdem muito cabelo com a idade, mas nessas fotos dá para ver que não é bem assim. Na parte central, os homens possuem a linha mais baixa, sendo que essa linha vem reta ou subindo um pouco em forma de “M” em direção às laterais e depois desce, formando uma figura bem angulosa.

Nas mulheres, em geral a linha do cabelo é mais arredondada. Mais alta que a dos homens na parte central mas mais fechada nas laterais.

Nariz

Ideal-male-and-female-nose-angleO nariz feminino é no geral mais fino, tanto na parte dorsal como na ponta, mas existem mais características consideradas masculinas ou femininas no nariz. Como se pode ver na figura ao lado, existem diferenças nos ângulos médios, tanto na parte superior do nariz quanto na parte inferior. Na parte superior, o ângulo é mais fechado nos homens devido à protuberância da testa que eu expliquei anteriormente. Na parte inferior, o nariz feminino é um pouco mais arrebitado que o masculino. O tamanho médio também difere, sendo menor nas mulheres.

Lábio

lip liftA distância média entre o lábio superior e o nariz é menor nas mulheres. Em outras palavras, o lábio superior fica um pouco mais erguido nas mulheres. Com isso, quando as mulheres estão com a boca um pouco aberta, falando, é normal aparecerem alguns milímetros dos dois dentes frontais superiores, enquanto nos homens o normal é que os dentes não apareçam nessa situação.

Pomo de Adão

pomo de adãoO pomo de Adão é uma protuberância na laringe que, assim como o sinus, também fica mais protuberante quando a pessoa é exposta aos hormônios masculinos durante a sua formação. As mulheres também possuem essa protuberância, mas normalmente ela não é muito evidente, ficando oculta pela gordura subcutânea.

 

 

Características menos perceptíveis

Quando nosso cérebro está fazendo a leitura de um rosto, algumas características são menos percebidas como indicadoras de gênero. Quase todas as que eu vou citar abaixo (exceto os dentes) podem ser alteradas para chegarem mais próximas às do outro gênero com o uso de hormônios. Seguem:

  • Maçãs: As mulheres tendem a concentrar mais gordura que os homens na região das maçãs. Muitas mulheres, entretanto não possuem maçãs saltadas;
  • Músculos ao redor da boca: Nos homens, os músculos ao redor da boca costumam ser um pouco mais protuberantes dando a impressão em alguns casos de que a boca é um pouco mais saltada que a das mulheres. Não é uma característica tão relevante pois muitos homens não a apresentam e muitas mulheres também possuem alguma proeminência devido a outros fatores como posição dos dentes, uso de aparelhos ortodônticos, etc;
  • Músculos do pescoço e maxilar: Os homens costumam apresentar uma musculatura mais desenvolvida que as mulheres no pescoço e ao redor do maxilar, fazendo com que o pescoço seja mais grosso e o maxilar pareça mais forte;
  • Pele: A pele das mulheres costuma ser um pouco mais clara e menos oleosa que a dos homens;
  • Dentes: Os dentes femininos aparecem mais durante o sorriso, são mais delicados com cantos mais arredondados;

Antes que comentem coisas do tipo: “ah, mas a Angelina Julie tem a mandíbula bem quadrada e angulosa” ou “mas fulano tem o rosto delicado, não tem a característica xxx”, a maioria dos rostos apresenta características mistas entre os gêneros, sendo raríssimos rostos extremamente masculinos ou extremamente femininos. E o cérebro leva isso em conta. Ao ler um rosto, ele dá mais valor a determinadas características como o olhar e a barba para estipular o gênero, atribuindo um peso menor a outras menos importantes. No final, o conjunto de todas as características é que importa.

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A Transexualidade de Matrix

September 24th, 2015

PílulasO filme Matrix foi um grande marco na história do cinema, mas vocês sabiam que, além de um ótimo filme, um de seus criadores é uma pessoa transexual? Sim, Lana Wachowski!

Bom, na época ela ainda não era assumida, ainda se chamava Larry Wachowski e esse fato torna a coisa ainda mais interessante. O dilema que Lana vivia na época entre se assumir ou não transexual, foi passado para o filme e se transformou em uma das cenas mais icônicas, carregada de significado não só para pessoas transexuais, mas para diversas outras: A cena das pílulas!


Por favor, Neo, confie em mim.
Por quê? Porque você já esteve lá.
Você conhece essa rua, você sabe onde ela vai dar.
E sei que não é onde você deseja estar.

Você sabe de algo.
Não consegue explicar o quê, mas você sente, você sentiu a vida inteira.
Há algo errado com o mundo. Você não sabe o que, mas há.
Como um zunido na sua cabeça… te enlouquecendo.

Essa é sua última chance. Depois disso, não há como voltar atrás.
Se tomar a pílula azul, a história termina, você acorda em sua cama e acredita no que quiser acreditar.
Se tomar a pílula vermelha, você ficará no país das maravilhas e eu te mostrarei até onde vai a toca do coelho.
Lembre-se: Tudo que eu estou oferecendo é a verdade. Nada mais.


E aí? Qual o cardápio de hoje? A segurança da pílula azul e seguir na mesma vidinha de sempre no seu mundinho de mentira ou o encontro com o seu “eu” de verdade?

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Tight Lacing – Projeto Cinturinha de Modelo!

August 9th, 2015

Há algum tempo comprei um corset para fazer tight lacing. Já tentei começar a usar uma vez aqui mesmo nesse post e não deu certo, eu esquecia de usar ou então me dava muita preguiça. Agora vou tentar começar novamente e vamos ver no que dá.

Para me estimular a usar, vou deixar uma tabelinha e vou atualizando à medida que eu for tendo resultados:

Data Medidas Observações
s/ Corset c/ Corset
09/10/16 71 66 Primeiro uso

Vou estabelecer que quero baixar 6cm, chegar à cintura 65 sem corset. É só uma meta baseada em nada, pra não ficar aberta. Se eu conseguir atingir essa, aí vejo se está bom ou se quero mais.

Fotinhas da evolução

Por enquanto uma fotinha do corset que eu comprei e uma da minha cintura antes do primeiro uso. Pra não ficar um monte de fotos parecidas, não é toda vez que eu tirar medidas que eu vou postar uma foto, só quando eu ver diferenças legais.

  • Tight Lacing
    Corset
  • Cintura Início 09/08/2015
    Cintura Início 09/08/2015

Histórico

09/02/2016: Iniciei novamente o uso do corset. Tentarei me manter firme dessa vez!

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Transexualidade e Suicídio

July 26th, 2015

Flor SecaGostaria de deixar aqui no meu blog um excelente texto escrito pela ativista trans Daniela Andrade, publicado no site ForaDoArmario.net, nesse link.

 

 

 

Nos EUA as taxas de suicídio entre as pessoas transgêneras é 26 vezes maior que a do restante da população.

E no Brasil? No Brasil não existimos, somos invisíveis para o governo, sociedade e movimentos sociais, salvaguardando raras e modestas iniciativas. Mas é sabido que o maior grau de violência e o maior número de assassinatos de pessoas LGBTs se dá justamente com o grupo de travestis e transexuais.

Há um vácuo total no que diz respeito ao conhecimento e a promoção de políticas públicas para as demandas e reivindicações da população trans*.

Nome social não é conquista, é esmola que não funciona na ampla maioria dos lugares, conquista seria se a lei de Identidade de Gênero (ou lei João W Nery) proposta por Erika Kokay e Jean Wyllys no começo desse ano fosse aprovada. Mas será que seria aprovada quando? Há 17 anos inúmeros projetos de leis similares têm sido colocado em consulta no Congresso Nacional e jamais votados.

Enquanto isso seguimos sem ter direito a ter nosso nome e gênero respeitados, e tudo se arrasta com sacrifício e lentidão no judiciário, em que juízes muitas vezes preconceituosos decidem por vias esdrúxulas que você pode se chamar Maria mas continuará com sexo masculino nos documentos, ou chamar João e continuar com sexo feminino.

Enquanto isso, há raros equipamentos de saúde pública no Brasil que atendam as demandas dessa população como a hormonioterapia. Sem falar que próteses para essa população costumam ser vistas como luxo, estética, jamais como necessidade e, portanto, não são cobertas pelo governo, o que leva centenas de travestis e transexuais a recorrerem ao danoso silicone industrial, que muitas vezes causa-lhes sérios problemas de saúde ou óbito.

Enquanto isso continuamos marginalizad@s, excluíd@s do mercado de trabalho formal e com grande parte tendo de recorrer à prostituição – e o problema aqui não é se prostituir, quem escolher se prostituir, é uma escolha legítima e que deve ser respeitada. Mas, dado o nível do preconceito por conta de nossa identidade de gênero, dado o grau de escolaridade geralmente baixo entre essa população, dado o fato de que a sociedade desde sempre nos associou à marginalidade e ao crime e inclua aqui os empresários e os que fazem as entrevistas de emprego, quase que não restam outras opções. E devem ser aplaudidas as que se prostituem, por que além de enfrentarem violências dos clientes, ainda enfrentam violência da polícia e da sociedade, assim como devem ser aplaudidas as que com uma luta heroica superaram esse círculo vicioso de exclusões.

Enquanto isso muitas pessoas travestis e transexuais continuam tendo de abandonar a escola, dado o preconceito e discriminação generalizados vindos inclusive de professores que não respeitam o nome e o gênero das pessoas travestis e transexuais.

Enquanto isso muitas pessoas travestis e transexuais continuam sendo expulsas de casa por seus familiares, onde muito cedo precisam saber como se virarem sozinh@s na rua.

Enquanto isso continuamos constando nos manuais de diagnósticos médicos como fetichistas e transtornad@s mentais.

Enquanto isso pessoas esperam por 3, 5, 10, 15 anos em uma fila à espera de uma cirurgia de transgenitalização que pode nunca chegar, já que há raros hospitais que as realizam no Brasil.

Enquanto isso, continuamos a não existir para a população, a menos que queiram fazer piada nos programas de humor ou dizer que somos marginais nos programas policiais ou constarmos como enfeites ao pronunciarem “transgêneros” ou “travesti e transexual” quando precisam falar as sigla LGBT e LGBTT.

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Alteração do Gênero nos Documentos

July 26th, 2015

RG-FRENTEConforme citei no post anterior, meu objetivo agora é o seguinte: Fazer uma cirurgia nas pregas vocais, alterar prenome e gênero nos documentos e viver escondendo que sou transexual, podendo arrumar um emprego como mulher, etc.

Esse mês procurei um advogado especializado e descobri que a coisa não é tão simples assim, ele me disse o seguinte:
O processo judicial para alterar o prenome é relativamente garantido, desde que eu tenha um laudo psicológico;
Já para alterar o gênero nos documentos, é beeeem difícil. Ele conhecia raríssimos casos no Estado de São Paulo em que a pessoa conseguiu ganhar esse processo sem que tivesse feito ou pelo menos que estivesse marcada a cirurgia de redesignação sexual (a famosa mudança de sexo, apesar de eu não gostar muito desse nome).

Acontece que, para se fazer a cirurgia de redesignação, é necessário passar por psiquiatra e por psicólogo por 2 anos para que, caso eles julguem que você é transexual (sim, não importa o que você acha que é), eles te deem um diagnóstico dizendo isso (CID-10, código F64.0). Se for fazer no Brasil, também é necessário um laudo de endocrinologista e já ouvi falar de um médico que pediu até um de assistente social. Pior, confirmei algo que já havia escutado, que muita gente que nem sente desconforto com o pênis procura a cirurgia apenas para poder alterar o gênero nos documentos. Não é certo a pessoa ter que se submeter a essa cirurgia apenas por uma questão legal, mas é bastante compreensível. Eu mesma não tenho interesse em alterar meu prenome e, legalmente, ser um homem chamado Vanessa.

Tudo bem que hoje, os únicos documentos nos quais constam o sexo da pessoa são a certidão de nascimento e o passaporte, documentos que não são de uso comum dentro do país. Mas para contratação em algum emprego é necessário entregar a certidão de nascimento na empresa e isso já quebra todo o meu plano de esconder que sou transexual, pois se uma pessoa na empresa ficar sabendo, todos ficam sabendo. Isso se eu puder ser contratada, já que dificilmente as empresas contratam transgêneros. Para piorar, o senado aprovou um novo modelo de RG que constará o sexo da pessoa (veja a imagem do post), a “sorte” é que tudo anda muito devagar no Brasil e isso ainda deve demorar uma eternidade para vingar.

O que vou acabar fazendo é passar por toda a burocracia para de conseguir os laudos, juntar uma pequena fortuna para fazer tanto a voz (em Seul) como a redesignação (em Bangkok) e assim poder me adequar também legalmente. Já estou indo no psicólogo e no psiquiatra e só o que eu não posso ter agora é pressa, pois o caminho é longo. Nesse tempo vou vendo como a coisa anda.

Por fim deixo um link para verem como esses processos judiciais são difíceis.

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Transexuais têm um lugar na Sociedade?

July 26th, 2015

SozinhoNo início da minha transição, eu não pensava tanto na minha interação com a sociedade, eu focava bastante e criava expectativas em relação às alterações estéticas que teria. É algo louco você partir de um corpo e um rosto masculinos rumo a sabe-se lá o que. As incertezas são grandes e a cabeça fica repleta delas. Sempre tentei manter minhas expectativas baixas, ter aquele pensamento “o que vier é lucro”. Agora, com 2 anos e 5 meses de transição, não espero mais grandes mudanças físicas. O que tinha que acontecer já aconteceu e posso dizer que foi muito legal, que tive minhas expectativas bastante superadas. Eu não esperava de jeito nenhum que com a minha altura, com certas características masculinas que eu tenho e que tendo começado já depois dos 30, as pessoas fossem olhar para mim sem perceber que sou trans.

Com essa evolução, minhas expectativas foram deixando de ser estéticas e passando a ter relação com estabelecer uma vida da forma que sonhei, e nisso ainda me sinto engatinhando. Nesse tempo que tenho andado pra todos os lugares exclusivamente como menina, tenho podido “sentir a sociedade” do ponto de vista de um transgênero MTF. Posso afirmar que estamos a gerações de ter uma sociedade inclusiva em que um transgênero possa ser considerado uma pessoa normal. O machismo e a insegurança das pessoas são enormes.

A masculinidade de um homem é algo muito frágil. Se ele tratar uma transexual ou uma travesti como uma mulher, ele tem medo do que os outros acharão dele, ele terá sua sexualidade contestada. E isso tem algumas implicações, como por exemplo uma transexual estar fadada a não ter um relacionamento. Os homens no geral se atraem por nós, o que acho natural, já que temos uma imagem feminina, mas o medo do que os outros vão pensar faz com que eles queiram apenas encontros furtivos, nunca podendo andar com uma pra qualquer lugar que seja. Em suma, travesti/transexual é um objeto utilizado para fins sexuais, praticamente uma boneca inflável, totalmente despersonificada.

E não me refiro apenas a relacionamentos afetivos, sexuais. Posso perceber essa característica na sociedade toda, em qualquer relação interpessoal. Por exemplo: Estou com amigas cisgêneras (mulheres não trans) em algum lugar e aparece um amigo de alguma delas. A menina então apresenta esse amigo às outras e, como é costume no Brasil, ele as cumprimenta com beijinho no rosto. Ele vem cumprimentando uma por uma, daí chega a minha vez e, segundo testes que eu mesma fiz, podem acontecer duas coisas: 1) Eu fico de boca fechada e ele me cumprimenta exatamente da mesma forma que fez com as outras. 2) Eu abro a boca pra falar um “olá” ou qualquer cumprimento (como seria o normal) e ele imediatamente adquire um comportamento mais relutante e me dá a mão. Claro, vai ver ele vai virar gay se cumprimentar uma trans com um beijinho no rosto, se tratá-la como mulher. Aliás, esse é um ponto que me incomoda bastante: Sermos vistas com gays num grau avançadíssimo, nunca como mulheres.

Quanto às mulheres, muitas são bastante machistas e aí é impossível fazer amizade com elas. Até criticam pra caramba uma trans e argumentam: “mas o meu é de verdade” ou “fazendo um monte de plástica é fácil”. Não sei se elas se sentem ameaçadas de alguma forma, mas parece que tentam diminuir as trans. Felizmente algumas mulheres são pessoas bem resolvidas, já com outra cabeça e, graças a isso, consigo ter algumas amigas.

Sei que existem implicações muito piores que recaem sobre nós trans, como a empregabilidade nula que empurra à marginalidade e à prostituição, como escutar desaforos e piadinhas na rua todos os dias da vida (no caso das que não puderam ter uma passabilidade cis), mas as coisas mais simples andam me incomodando tanto a ponto de eu começar a evitar de sair de casa e me relacionar com as pessoas.

Tudo isso me fez tomar uma decisão da qual não me orgulho muito: Vou ajeitar minha vida financeira e aí quero fazer uma cirurgia nas pregas vocais, fazer tudo o que for necessário para alterar meus documentos para o gênero feminino (nesse post trato da dificuldade de se fazer isso) e então viver escondendo meu passado, fingindo que sou uma mulher cisgênero. Na verdade, isso é uma oportunidade raríssima que tenho nas mãos, é difícil quem tem a oportunidade de levar uma vida completamente normal. Só não me orgulho porque, diferente do movimento gay que vem desde os anos 70 e hoje colhe muitos frutos, como empregabilidade e aceitação, o movimento trans está só começando e seria muito importante nesse momento existirem trans se mostrando por aí, trans que, só pelo fato de existirem, já estão levantando uma bandeira na sociedade. Infelizmente sinto que não vou ser feliz sendo uma dessas, vou mesmo me esconder.

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Feriado Maravilhoso

June 7th, 2015

latinhasO feriado começou na quinta feira de manhã, saí de São Paulo em direção ao interior, chegando na casa da minha mãe por volta das 16h. Como de costume, minha mãe comprou tudo o que eu gosto (sim, eu sou mimada), a geladeira estava cheia de guloseimas. Mas entre aquilo tudo, uma coisa que chamou minha atenção foram 3 latinhas de coca zero com o nome “Vanessa” que encontrei na gavetinha da geladeira. Lá no super ela escolheu as latinhas com o meu nome!

Também tinham alguns presentes: Uma calça preta que vai abrindo nas pernas (ela achou linda quando viu uma moça alta e magra usando e comprou uma igual pra mim), uma camisa branca com uma renda atrás e um par de brincos bem delicadinhos. Ela ainda está aprendendo como é o meu corpo. A camisa ela acertou, comprou tamanho P. A calça, tivemos que ir trocar por uma G no outro dia. Ainda na quinta, ficamos lá na casa dela conversando, tomando cerveja e comendo quibe crú.

Na sexta, fomos andar nós duas. Primeiro trocamos a calça por uma G e então passamos na loja Beto Calçados de São José do Rio Preto, ela havia dito que tinham sapatilhas 42 lindas. Por sorte, a loja estava lotadérrima e a princípio fomos atendidas pelo próprio gerente. A loja quase só tinha vendedores homens, mas vendo que eu era trans, ele nos atendeu até que vagasse uma vendedora mulher e então a trouxe para nos atender. Tanto o gerente como a vendedora Silvia estão de parabéns, atendimento excelente nessa loja.

sapatosBom, mas nessa ocasião, não tinha nenhum calçado 42. A vendedora disse que a demanda por esse número está altíssima, que quando chegam, eles já avisam as clientes e essa numeração vai em poucos dias. Os 41 e 43 não serviram. A vendedora então disse que eles trabalham também com outras marcas que têm formas bem grandes, se eu não gostaria de tentar as sapatilhas da Moleca que, no número 40, correspondem ao 41 ou 42 de outras marcas. Tentamos e deu certo, e tinham muiiiitas combinações de cores eeeee…. estavam em promoção, R$ 36,90 o par! Escolhi “só” 7 pares de sapatilhas, além de 2 sapatos de outra marca que também serviram e ficaram legais! 🙂

Saindo da loja toda feliz, deixamos as compras no carro, fomos a um restaurante lá no centro almoçar e então fomos dar uma volta num shopping. O mais legal dessa experiência toda é que essa foi a primeira vez que minha mãe passeou comigo em lugares abarrotadérrimos de gente, como era o caso do centro de Rio Preto e do shopping nesse dia. Já havíamos ido à praia mas lá eu fico sentada no guarda sol, e não cruzando com centenas de pessoas. Dessa vez ela percebeu que ninguém nem me olhava, até comentou: “eu achei que seria diferente, mas essa é a maior prova de que você conseguiu realmente ficar muito feminina, ninguém percebe, ninguém nem tchum”. Fiquei muito feliz de ela ter tido essa constatação, pois nossos familiares e pessoas que já nos conheciam de antes, tendem a ter na cabeça que nosso rosto é masculino e nunca acham que estamos passando, agora ela constatou que sim!

Ainda na sexta minha mãe pediu que eu desse uma olhada em várias roupas dela que não estavam servindo mais, pra ver se eu queria alguma, escolhi algumas. Terminamos a noite jantando num churrasquinho. Sábado foi dia de visita aos demais parentes, domingo dia de viajar de volta e de fim desse feriado delicioso! Eu não sou uma sortuuuda?!!!

(pra quem estiver no meu Face, lá postei foto minha com a mamãe)

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Medo da Mudança

April 23rd, 2015

medoVocê tem medo da mudança?
Há muitos anos assisti a um filme que possuía a mesma história do “A Pele que Habito”, com pouquíssimas diferenças. Nesse, o papel da mocinha foi interpretado por um ator. Infelizmente não consegui achar o nome desse filme, se alguém souber por favor me passe.

Na ocasião, uma das cenas me marcou muito. Na cena final, após a moça conseguir fugir do médico, já toda transicionada, toda bonitinha, ela se depara com uma estrada reta, no meio do nada, que se funde com o horizonte. Ela começa a caminhar nessa estrada e o filme termina.

Não importa que ela transicionou compulsoriamente, isso não vem ao caso. O sentimento que essa cena me passou na ocasião foi o de um sonho. Me passou a idéia do início de uma vida totalmente nova, sendo uma outra pessoa, uma moça toda bonita e feminina. A sensação que me veio na hora foi um frio no estômago, como se estivesse acontecendo.

Anos depois, eu sou a moça olhando para a estrada!

Agora ficou muito mais complexo descrever o sentimento. Ainda tem aquela sensação empolgante de uma vida cheia de expectativas legais com as quais sempre sonhei, e é isso que me move. Estou deslumbrada vendo paisagens que nunca havia imaginado, mas também tenho um medo enorme. Medo do desconhecido, de onde essa estrada vai levar, das coisas que encontrarei no caminho. Medo porque, uma vez que escolhi seguir essa estrada, deixei para trás o refúgio cômodo no qual vivi a vida toda. E sempre que olho pra trás vejo meu refúgio ficando cada vez mais longe e inacessível. Isso me dá uma insegurança enorme!

Creio que um dia essa insegurança passará, que um dia estarei tão longe que, ao me virar, nem será mais possível enxergar meu antigo refúgio. Ele terá sido engolido pelo horizonte que ficou pra trás, existirá somente na minha lembrança. Aí terei a certeza de que é impossível voltar, que meu caminho é em frente. Acho que a partir desse dia nem olharei mais para trás.

Não dava para conviver com a idéia de perder a jornada da minha vida e viver apenas imaginando como seria.

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